RETALHO FASCIO-CUTÂNEO SUPRACLAVICULAR: RELATO DE CASOS/ SUPRACLAVICULAR FASCIO-CUTANEOUS FLAP: CASE REPORTS


Autor
PEDRO DE ALBUQUERQUE LAPA
MD

Co-autores
ERNANDO LUIZ FERRAZ CAVALCANTI
MD

MARCO ANTÔNIO PINTO KITAMURA
MD

JOSÉ FERREIRA DA SILVA NETO
MD

RUI MANOEL RODRIGUES PEREIRA
MD


Descritores
RETALHO FASCIO-CUTÂNEO SUPRACLAVICULAR: RELATO DE CASOS SUPRACLAVICULAR FASCIO-CUTANEOUS FLAP: CASE REPORTS

Instituição
INSTITUTO MATERNO-INFANTIL PROFESSOR FERNANDO FIGUEIRA - IMIP - RECIFE - PERNAMBUCO - BRASIL
Endereço: Rua da Baixa Verde, 287 / 604 Derby Recife-PE CEP 52010-250Tel: (81) 99741618 e-mail: pedrolapa99@yahoo.com.br


Introdução

O tratamento cirúrgico das retrações cicatriciais por seqüelas de queimaduras é um desafio para a cirurgia plástica reconstrutiva, já que inclui a necessidade de múltiplos procedimentos, com alto custo em longo prazo, pobre perfil psicológico do paciente e necessidade de equipe multidisciplinar. As retrações mento-esternais extensas são deformidades extremamente limitantes para o convívio social, gerando diversas alterações funcionais, como limitações de mobilização cervico-facial, dificuldade respiratória e de oclusão bucal. De longa data são descritos retalhos eficientes no tratamento dessa entidade patológica, e nas últimas décadas vem se dando preferência aos retalhos fascio-cutâneos, ilhados ou não, bem como retalhos livres1. Sabe-se através de estudos anatômicos em cadáveres que a região do ombro é irrigada por uma rica rede anastomótica proveniente da artéria circunflexa posterior do úmero, toracoacromial, supraclavicular, occipital e cervical. Dependendo da extensão do descolamento do retalho, uma boa parte de perfurantes são seccionadas, ficando o retalho com uma irrigação principal de padrão axial fascio-cutânea de ramos perfurantes descendentes da artéria cervical superficial, como descrito por Ferreira2. O retalho fascio-cutâneo supraclavicular se caracteriza por ser um retalho de uma extensão longitudinal considerável e sua rotação possibilita o tratamento cirúrgico de diversas regiões adjacentes, como o dorso, o ombro e a parede torácica anterior.

Material e Métodos

O objetivo deste trabalho é relatar a experiência do Serviço de Cirurgia Plástica do Instituto Materno Infantil Prof. Fernando Figueira, em Recife, na utilização do retalho fascio-cutâneo supraclavicular em 3 pacientes com retrações cervicais pós queimadura neste ano de 2006. Todos os pacientes apresentavam deformidades importantes, limitantes às capacidades funcionais habituais, inclusive, no primeiro caso a paciente apresentava dificuldade em fechar a boca.

Não foi realizado mapeamento prévio de pedículo vascular por ultra-sonografia com Doppler, como rotineiramente visto em diferentes trabalhos. A marcação cirúrgica se inicia com a identificação do provável trajeto do pedículo principal do ramo perfurante descendente da artéria cervical superficial, na face lateral do terço médio do músculo esternocleidomastóideo. O limite anterior seria uma linha desde a face anterior do braço à articulação esterno-clavicular, o limite distal o terço proximal do braço, na região deltóide, e o limite posterior na borda medial do músculo trapézio. Consideramos evitar desenhar o retalho em áreas com pele queimada. Após a liberação da brida por degola, realizamos o descolamento do retalho sem dificuldades, em plano subfascial, notando apenas uma maior aderência do mesmo ao nível da face posterior da clavícula por provável intersessão de fáscias. Transferindo assim o retalho à área receptora, tratamos a área doadora com enxerto de pele parcial após pontos de aproximação dos bordos à musculatura, minimizando bastante a área cruenta. Não houve qualquer sofrimento do retalho nos 3 casos descritos. No segundo caso houve perda de áreas de enxerto, que evoluiu para cicatrizes queloideanas. Obteve-se um bom resultado funcional e também estético, por ser um retalho pouco espesso. As figuras a seguir mostram alguns resultados obtidos.
O retalho fascio-cutâneo supraclavicular demonstrou ser simples, de fácil execução, com uma curta curva de aprendizado, e que dispensa utilização de equipamentos de maior complexidade, sendo uma excelente opção cirúrgica.

Bibliografia

1) PALLUA, N., MACHENS, H. G., RENNEKAMPFF, O., BECKER, M., AND BERGER, A. The fasciocutaneous supraclavicular artery island flap for releasing postburn mentosternal contractures. Plast. Reconstr. Surg. 99: 1878, 1997.

2) FERREIRA, L. M. Retalho fasciocutâneo supraclavicular: anatomia e aplicação clínica In: Robert Jan Bloch. Retalhos fasciais fasciocutâneos e osteomiofasciocutâneos. Editora Revinter, 2002.

3) CORMACK, G. C. and LAMBERTY, B. G. H. A classification of fascio-cutaneous flaps according to their patterns of vascularization. Br. J. Plast. Surg., 37: 80-7, 1984.

4) MATHES, S. J., AND NAHAI, F. Clinical Applications for Muscle and Musculocutaneous Flaps. St. Louis: Mosby, 1982.
Figura 1


Figura 2


Figura 3


Figura 4


Figura 5


Figura 6